Nabor-1986
A cerimônia fora mui pomposa.
Os noivos, em esplêndido cortejo,
prenunciavam já o alegre ensejo
da saudação festiva e calorosa.
Em solene ocasião, aparatosa
(a música soava em doce arpejo),
foram ali selados com um beijo
votos pra vida reta e virtuosa.
Eu, à parte, os olhava com tristeza.
Quão envolvidos foram na esperteza
da manipulação irrecorrível,
que impulsiona todos a cair,
pra sua sede de prazer suprir,
na armadilha de isca irresistível!
Uma lamentação a todos os incautos que já cairam nessa armadilha e um alerta aos que estão para cair.
Extraído do livro ....PORQUE NÃO SEI FICAR QUIETO.
www.clubedeautores.com.br
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Pensamento da Semana:
“Entendemo-nos porque nos ignoramos. Que seria de tantos cônjuges felizes se pudessem ver um na alma do outro, se pudessem compreender-se, como dizem os românticos, que não sabem o perigo – se bem que fútil – do que dizem. Todos os casados do mundo são mal casados, porque cada um guarda consigo, nos secretos onde a alma é do Diabo, a imagem subtil do homem desejado que não é aquele, a figura volúvel da mulher, que aquela não realizou.”
Fernando Pessoa – Livro do desassossego.
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